Catadores recuperam 30,6 toneladas no Carnaval do Ibirapuera e consolidam o Bloco da Reciclagem como referência em inclusão e impacto ambiental em SP

O Bloco da Reciclagem 2026 encerra a operação completa do Carnaval — incluindo o Pré-Carnaval (7 e 8 de fevereiro), os dias oficiais de folia (14 a 17 de fevereiro) e o Pós-Carnaval (21 e 22 de fevereiro) — com um marco expressivo para a agenda socioambiental da cidade: foram 30,6 toneladas de materiais recicláveis recuperados somente no Parque Ibirapuera, principal polo dos megablocos do Carnaval de Rua paulistano.
A operação é uma iniciativa da Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat), em parceria com a Ambev e a EcoUrbis – concessionária municipal responsável pela coleta de resíduos em mais da metade da capital paulista, com apoio institucional da Prefeitura de São Paulo
Do volume total recuperado na Central de Triagem instalada no Ibirapuera, aproximadamente 10,16 toneladas correspondem a alumínio, 18,60 toneladas a plástico e 2 toneladas a papel. A iniciativa não apenas garantiu a destinação ambientalmente adequada dos resíduos gerados por milhões de foliões, como também consolidou um modelo de gestão que integra rastreabilidade, transparência e mensuração de impacto por meio do Painel da Circularidade.

A operação fortaleceu 359 postos de trabalho e alcançou uma diária per capita 413,73% superior à diária equivalente ao salário mínimo proporcional, ampliando de forma expressiva a renda dos participantes no período. O impacto social estimado corresponde a 14.218,89 refeições, indicador que evidencia de maneira concreta o alcance da geração de renda proporcionada pela iniciativa. Além disso, a iniciativa proporcionou economia de recursos públicos, com o encaminhamento do material reciclável para a economia circular e não disposição em aterro.
Há equilíbrio de gênero (50,99% homens e 45,72% mulheres, com 1,64% de pessoas trans), predominância de trabalhadores entre 31 e 60 anos, ou seja, população em plena idade produtiva — e forte presença de pessoas pardas (47,83%) e pretas (27,95%). No campo habitacional, chama atenção que 29,12% estejam em situação de rua e 3,86% em centros de acolhida, enquanto apenas 25,26% possuem moradia própria, reforçando o contexto de vulnerabilidade socioeconômica.
Do ponto de vista ambiental, as 30,6 toneladas recuperadas representam a economia de 92,87 barris de petróleo, a preservação de 45,04 toneladas de bauxita, a economia de 234,29 mil kWh de energia e a mitigação de 130.054,21 kg de CO₂. Os números demonstram que a reciclagem estruturada em grandes eventos é capaz de gerar benefícios mensuráveis à conservação de recursos naturais, ao mesmo tempo em que fortalece a cadeia produtiva da reciclagem e a economia circular no município.

Para a Ancat, o desempenho desta edição consolida o protagonismo dos catadores na maior festa popular do país e evidencia que políticas de inclusão produtiva podem caminhar lado a lado com metas ambientais robustas. “Ao garantir estrutura adequada, equipamentos de proteção, preço justo e remuneração digna, o Bloco da Reciclagem reafirma que sustentabilidade e justiça social são dimensões indissociáveis na construção de cidades mais resilientes”, destaca o presidente da Ancat, Roberto Rocha.
Participaram da operação as cooperativas Coopere Centro, Coopamare, Cooperpoba, Grupo Luz Divina e Casa do Catador, com parceria do Instituto Rede CataSampa, do Comitê da Cidade do MNCR – Movimento Nacional dos Catadores, do Movimento Nacional de Luta em Defesa da População em Situação de Rua (MNLDPSR) e Pimp My Carroça. Todo o material coletado foi destinado à Coopere Centro (Pré-Carnaval) e Casa do Catador (Carnaval e Pós), responsáveis pela comercialização dos recicláveis, assegurando que o valor gerado permaneça na própria cadeia da reciclagem.
Sobre a Ancat
Há 25 anos, a Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat) tem em sua essência a missão de defender os interesses dos trabalhadores da catação em todo o país e fomentar a economia solidária. Para isso, tem como estratégia o desenvolvimento de projetos na área de reciclagem de embalagens, voltados à qualificação produtiva e fortalecimento econômico da categoria. Parceira do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), a Ancat atua com ênfase na defesa e capacitação de trabalhadores organizados em cooperativas, associações e catadores autônomos.
Sobre a Ecourbis
Desde 2004, a Ecourbis Ambiental é a concessionária municipal responsável pela coleta, transporte, tratamento e destinação final ambientalmente adequada de resíduos domiciliares (comum e reciclável) e resíduos dos serviços de saúde em 19 das 32 subprefeituras que existem na cidade de São Paulo, nas zonas sul e leste.
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