Dermatite atópica: plano de saúde não pode mais negar tratamento com anticorpo monoclonal após inclusão da ANS
Agência Nacional de Saúde incorporou lebriquizumabe, um imunobiológico para dermatite atópica, ao rol de tratamentos. Planos de saúde não poderão mais negar o tratamento

Uma mudança no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) altera o cenário de tratamento para pacientes com dermatite atópica moderada a grave no Brasil. A incorporação do lebriquizumabe, um imunobiológico de última geração, entra em vigor a partir de hoje, 1º de julho de 2026, estabelecendo que os planos de saúde passem a cobrir a medicação quando houver indicação médica, reduzindo um histórico de negativas que frequentemente levavam pacientes à judicialização. “A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele, marcada por períodos de crise e remissão. Ela se manifesta com coceira intensa, vermelhidão, ressecamento e lesões que podem evoluir para fissuras e infecções. Mais do que um problema cutâneo, trata-se de uma condição sistêmica que impacta sono, saúde mental, produtividade e relações sociais. Em quadros mais graves, a coceira constante pode levar à privação de sono e a um ciclo de inflamação persistente, agravando ainda mais o quadro clínico. Por isso, os medicamentos imunobiológicos são fundamentais para o tratamento”, explica a dermatologista Dra. Glauce Eiko, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. No entanto, apesar da aprovação da ANVISA, o medicamento não era oferecido pelos planos de saúde, sob a alegação de que o medicamento não estava no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS.
A médica explica que a dermatite atópica não é apenas uma alergia de pele, como muitos pensam. “É uma doença inflamatória complexa, com impacto profundo na qualidade de vida. Em casos moderados a graves, o paciente pode sofrer diariamente, com sintomas que vão muito além do desconforto físico”, explica a dermatologista. A doença costuma ser classificada em graus leve, moderado e grave. Nos estágios iniciais, pode ser controlada com hidratantes e medicamentos tópicos. “No entanto, nos casos mais avançados, quando há falha terapêutica ou controle insuficiente, torna-se necessário recorrer a tratamentos sistêmicos, como imunossupressores ou terapias-alvo mais modernas. É nesse contexto que os imunobiológicos ganham protagonismo”, diz a médica. “O lebriquizumabe é um anticorpo monoclonal que atua diretamente em uma via específica da inflamação, bloqueando a interleucina-13 (IL-13), uma das principais responsáveis pelo processo inflamatório da dermatite atópica. Diferente dos tratamentos tradicionais, que agem de forma mais ampla no sistema imunológico, essa terapia é direcionada, o que aumenta a eficácia e reduz efeitos colaterais”, acrescenta a Dra. Glauce.
Para a dermatologista, os imunobiológicos representam uma verdadeira mudança de paradigma. “Eles atuam de forma mais precisa na cascata inflamatória da doença, permitindo um controle mais eficaz dos sintomas e evitando a progressão do quadro. Isso significa menos crises, menos lesões e mais qualidade de vida para o paciente”, destaca a Dra. Glauce. Estudos clínicos mostram que o uso do lebriquizumabe está associado à redução significativa da coceira, da inflamação e das lesões cutâneas, além de melhora consistente no bem-estar geral dos pacientes. “A aplicação é feita por via subcutânea, geralmente com intervalos mensais, o que também favorece a adesão ao tratamento”, explica.
Apesar de já possuir aprovação da Anvisa, o medicamento enfrentava barreiras de acesso. Com a inclusão oficial, esse cenário muda: a cobertura passa a ser obrigatória quando houver prescrição médica fundamentada. “Na prática, isso reforça o direito do paciente ao tratamento adequado, especialmente nos casos em que terapias convencionais não foram suficientes. A legislação brasileira já prevê que, havendo indicação médica e registro sanitário, o acesso ao tratamento deve ser garantido, e a atualização do rol consolida esse entendimento. O avanço não é apenas regulatório, mas também clínico. Ao ampliar o acesso a terapias mais eficazes, abre-se a possibilidade de interromper o ciclo de inflamação crônica antes que ele cause danos mais profundos à pele e à saúde do paciente”, diz a Dra. Glauce. “Tratar corretamente a dermatite atópica grave não é apenas aliviar sintomas, mas evitar complicações futuras. Quanto antes conseguirmos controlar a doença de forma eficaz, menores são os impactos a longo prazo”, finaliza a dermatologista.
FONTE: *DRA. GLAUCE EIKO: Dermatologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). Graduada em Medicina pela Universidade de Gurupi, possui pós-graduação em Cirurgia Dermatológica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatologia e Oncologia Dermatológica pelo Hospital Sírio Libanês, além de especializações em Saúde Pública, Vigilância Sanitária e Epidemiológica. Também é graduada em Farmácia. CRM-SP: 137527 | RQE: 73365. Instagram: @dra.glauce.eiko
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