Crise climática já afeta desempenho de data centers

Crise climática já afeta desempenho de data centers

Especialistas da ODATA explicam mais sobre as consequências da crise climática ao redor do mundo aos data centers

As ondas de calor extremo que ocorreram na Europa em julho afetaram não só a vida das pessoas, como também causaram transtornos a alguns data centers da região. As altas temperaturas que passaram pelo continente foram resultado da crise climática global, causada pela emissão de gases de efeito estufa e seus derivados. A mudança de temperatura pode causar o encerramento prematuro de máquinas virtuais (VMs) ou até mesmo superaquecer o data center, fazendo com que um subconjunto da estrutura de computação se desligue como forma de proteção.

“Devido às inúmeras consequências que a mudança de clima pode trazer ao funcionamento de data centers, soluções que permitam a redução do consumo de energia e que entreguem mais eficiência e menos custo, estão sendo vistas cada vez mais como prioridade. A refrigeração dos data centers é um dos temas mais falados na agenda ESG, portanto, equipamentos voltados à redução dos impactos ambientais tendem a estar mais presentes em novos projetos”, explica Ricardo Alário, Presidente da ODATA, provedora brasileira de data centers.

Segundo o estudo divulgado pela Schneider Electric, soluções eficientes de climatização em data centers, como blanking panels, que atuam na contenção de ar nos racks do servidor e melhoram o fluxo de ar dentro da estrutura evitando superaquecimento, podem gerar economia de até 43% no custo anual de energia do sistema de resfriamento. Considerando o Power Usage Effectiveness (PUE), métrica usada para determinar a eficiência energética desse tipo de ambiente de dados, a redução pode corresponder a 15% anualmente.

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), há 93% de chance de que um ano entre agora e 2026 seja o mais quente já registrado. Portanto, o mercado de data centers precisa se preparar para esta nova realidade, já que as temperaturas altas na Europa neste ano não foram um caso isolado. “Atualmente, precisamos projetar novas temperaturas no momento de construção de um novo data center, ao invés de pensar que meu extremo é 35 graus, por exemplo, estamos fazendo projeções que talvez seja mais como 37 ou 38 graus”, conta Carolina Maestri, Diretora de ESG da ODATA.

Um data center eficiente deve gastar mais energia no funcionamento do equipamento de TI que no resfriamento do ambiente onde o equipamento reside, para que isso ocorra é preciso investir em tecnologias mais sustentáveis. “No caso da ODATA, utilizamos o sistema de condicionamento de ar em circuito fechado, esse modelo propicia um consumo de água praticamente nulo, evitando o desperdício desse escasso recurso. Isso porque a água é extraída uma única vez e circula em circuito fechado, sem necessidade de reposição. Dessa forma, a mesma água é aquecida no lado quente e resfriada no lado frio. Utilizamos também o sistema Free Cooling, que aproveita a baixa temperatura exterior para resfriar a água, reduzindo o consumo elétrico com o desligamento de compressores do Chiller e resfriamento pelo ar ambiente. Assim, é possível reduzir o desperdício e consumo de energia em dias mais frios”, explica Carolina. A combinação do sistema de refrigeração de ar em circuito fechado com o Free Cooling proporciona a redução do consumo de energia e o desperdício de água.

Para este ano, de acordo com a última pesquisa divulgada pelo Gartner, os gastos mundiais com sistemas de data center devem crescer 4,7%, chegando a US$ 226,4 bilhões. Por este crescimento, soluções de refrigeração, sustentabilidade e climatização estão entre as prioridades dos provedores de data centers.

Science Based Targets Initiative (SBTi)

O SBTi é uma iniciativa que trabalha para que as companhias adotem metas baseadas em ciência para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa e frear o aquecimento global. O seu último relatório anual apontou que 2021 foi um ano de crescimento recorde, já que, em média, o programa conseguiu trabalhar com 110 novas companhias por mês, comparado a 32 companhias mensais em 2020. As metas ou compromissos de redução de emissões aprovados dobrou para 2.253 – a previsão é de que juntas, essas empresas, localizadas em 70 países e de 15 setores diferentes, representem mais de um terço (35%) da capitalização de mercado da economia global, com valor de US$ 38 trilhões.

Em mais uma evolução, a ODATA aderiu, recentemente, ao SBTi e se comprometeu a estabelecer uma meta, com base na ciência e alinhada com o clima, conforme todos os requisitos técnicos do protocolo do SBTi. A meta deverá estar alinhada com os pontos mais recentes estabelecidos pela ciência climática para o cumprimento dos compromissos do Acordo de Paris, que limita o aquecimento global bem abaixo de 2°C, acima dos níveis pré-industriais, e busca esforços para frear o aquecimento a 1,5°C. “Com as recorrentes mudanças climáticas que ocorrem em todo o mundo, a ODATA procura ações de incentivo à eficiência energética e consumo de energia renovável como uma das principais prioridades da nossa agenda ESG”, conclui Carolina.

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