ONG Zoé cresce 61% em atendimentos e procedimentos médicos na Amazônia e alcança marca histórica no semestre
Com atuação na região desde 2019, a instituição realizou 7.945 atendimentos e procedimentos no primeiro semestre de 2026, ajudando a reduzir as filas do SUS em territórios indígenas e ribeirinhos do Pará

Só no primeiro semestre de 2026, médicos e profissionais de saúde da ONG Zoé, sediada em São Paulo (SP), realizaram 7.945 atendimentos e procedimentos na Amazônia, no estado do Pará. Esse volume foi 61,1% maior comparado ao mesmo período do ano passado. É uma marca histórica para a instituição, que atua na região desde 2019, operando em regiões remotas, muitas apenas com acesso fluvial ou aéreo. “Acredito que na base do crescimento da Zoé estão alguns fatores, como o engajamento dos voluntários, o perfeito alinhamento dos colaboradores com nosso propósito, a contribuição dos doadores e as parcerias com o setor público e outras instituições”, afirma o fundador e presidente da Zoé, o médico Marcelo Averbach.
De janeiro a julho de 2026, foram oito expedições e a 49ª realizada em junho foi a maior até o momento. O Junho Cirúrgico aconteceu no Hospital Municipal de Belterra (PA) com a participação de 55 voluntários (entre médicos, profissionais de enfermagem e equipe de apoio). Além de cirurgias de hérnia, de vesícula, ginecológicas e dermatológicas, houve doação de óculos. Foram 1.183 procedimentos, além de 97 óculos doados, 89 coletas de biópsias e treinamento de 95 profissionais de saúde locais.
Atuação sintonizada com a realidade local
Um dos diferenciais do modelo de atuação da ONG Zoé é levar a alta e a média complexidade médica para dentro do território. No caso das populações ribeirinhas, isso evita a necessidade de deslocamento até Santarém, onde está o hospital público. Além da fila de espera devido a demanda, as pessoas não têm como arcar com o custo da viagem e estadia em Santarém. Em relação às populações indígenas, o atendimento no território é fundamental porque evita que passem por remoções custosas e traumáticas para centros urbanos.
O impacto social do trabalho da Zoé é testemunhado pelos voluntários que recebem pacientes que estão esperando por anos por uma cirurgia ou por um exame de imagem e até uma consulta com especialista. “Apesar da ativa atuação do SUS na região, ele não consegue dar conta da demanda sozinho. É nesse ponto que o trabalho das organizações da sociedade civil faz diferença, inclusive com parcerias público-privadas como é nosso caso,” diz Averbach.
Nesse contexto, entre os parceiros da Zoé, estão o Ministério da Saúde, a AgSUS, a SESAI, o DSEI Guamá-Tocantins e a FUNAI. Outra importante parceria é com a Fundação Dieter Morszeck, que viabiliza, sempre que necessário, o deslocamento aéreo dos voluntários para comunidades mais remotas só acessíveis por esse meio de transporte. Além disso, parceria com prefeituras, como a de Santarém (utilização do barco Abaré 2) e de Belterra (uso do Hospital Municipal da cidade).
Destaques do semestre
No semestre, a Zoé também atuou em áreas mais remotas que exigiram operações logísticas mais complexas. A 50ª Expedição, em junho, está nesse perfil. A ação foi realizada por uma equipe composta por médicos cirurgiões, anestesistas, dermatologistas e radiologistas, além de profissional da enfermagem. O time se deslocou com todos os insumos necessários até a Terra Indígena Zo’é. A equipe prestou assistência à comunidade que inspirou o nome da instituição. Importante ressaltar que foram seguidos todos os protocolos de preservação da cultura e da saúde desse povo. Foram realizadas quatro cirurgias de hérnia e 35 exames de ultrassonografia.
Outra ação de grande impacto ocorreu no mês de abril no município de Oriximiná (PA), na Aldeia Mapuera (etnia Wai-Wai). Essa expedição contou com suporte aéreo de aeronave da AgSUS. Foram feitos 307 exames de ultrassom e 1.589 avaliações oftalmológicas. Também foi reformada pela Zoé a Casa de Saúde local (acomodações, sistema próprio de geração de energia, rede elétrica nova e banheiros adaptados com saneamento básico).
O semestre também contou com ações em saúde mental na campanha Janeiro Branco, em Belterra, com 93 consultas psiquiátricas e psicológicas com foco no acolhimento familiar e sociodramas comunitários. Já na 46ª Expedição (Olhar Amazônico), a parceria com a Ótica Miguel Giannini permitiu a doação de 99 pares de óculos com lentes confeccionadas sob medida.
Sobre a Zoé
A Zoé foi fundada em São Paulo (SP), no final de 2019 com o propósito de levar assistência médica especializada às comunidades ribeirinhas e indígenas da Amazônia, no estado do Pará. O grupo de fundadores é formado predominantemente por médicos com histórico pessoal de atendimento a populações da Amazônia. Desde sua criação até início de agosto de 2026, foram 51 expedições, 28.693 procedimentos, com a participação de 466 voluntários. Além da sede em São Paulo, a Zoé também tem uma estrutura em Belterra.
O trabalho da organização foi reconhecido pelo Prêmio Humanizar Saúde 2024 (Teva Brasil), pelo Prêmio Veja Saúde-Oncoclínicas de Inovação Médica 2025 e pelo Prêmio Expoepi 2026 do Ministério da Saúde. Em 2024, a Zoé também foi selecionada entre os 35 finalistas do .ORG Impact Awards, premiação global do Public Interest Registry, na categoria Saúde e Cura, entre 1.700 organizações inscritas de 87 países. A ONG Zoé é certificada pelo Instituto Doar e auditada pela BDO.
Como ajudar
As doações para ONG Zoé podem ser feitas com segurança por meio do site:
www.ongzoe.org/doe / Siga no Instagram: @ongzoe.oficial
Leia também: ONG Zoé celebra 1.200 atendimentos de saúde, em apenas 8 dias, nas regiões de Belterra e do rio Mamuru, no Pará

Deixe um comentário