Menos de 20% das empresas que usam IA possuem estrutura formal de governança, aponta Bridge & Co.

Menos de 20% das empresas que usam IA possuem estrutura formal de governança, aponta Bridge & Co.

Levantamento mostra que adoção da tecnologia avança mais rápido do que a criação de regras, expondo organizações a riscos financeiros, regulatórios e de segurança

A corrida das empresas para incorporar Inteligência Artificial aos processos de negócio tem acontecido sem a criação de mecanismos adequados de controle. Dados da Bridge & Co., empresa de consultoria e tecnologia especializada em automação, Inteligência Artificial e dados, mostram que menos de 20% das empresas que utilizam modelos de IA em produção possuem uma estrutura formal de governança já estabelecida e implantada. 

O indicador foi elaborado com base em projetos realizados pela companhia nos últimos 36 meses junto a organizações que adotaram soluções de IA em suas operações. Segundo a análise, a maior parte das empresas inicia o uso da tecnologia sem políticas, procedimentos, papéis e responsabilidades claramente definidos para orientar sua utilização. O cenário amplia a exposição a riscos em diferentes frentes do negócio.

Os impactos vão além da operação e alcançam áreas financeiras, jurídicas e de segurança. Para a Bridge, o dado revela que a adoção da Inteligência Artificial tem avançado mais rapidamente do que a criação de mecanismos de controle e gestão. O descompasso acende um alerta em um momento de expansão acelerada da tecnologia no ambiente corporativo.

O diagnóstico da empresa acompanha uma tendência observada globalmente. Segundo levantamento da IBM, 77% das organizações afirmam que a adoção de IA já supera sua capacidade atual de governança, evidenciando a dificuldade das empresas em estabelecer processos, critérios e mecanismos de supervisão na mesma velocidade em que implementam novas soluções.

Para Carlos Eduardo Carvalho, Sócio-Diretor e CEO da Bridge & Co., esse cenário é resultado da pressão por velocidade e da busca por ganhos de produtividade. Em muitos casos, a implementação ocorre sem critérios claros para selecionar casos de uso, definir responsabilidades ou gerenciar riscos. Soma-se a isso o chamado FOMO (fear of missing out), que leva empresas a acelerar investimentos para não ficarem atrás da concorrência.

“A adoção de IA virou um tema prioritário para as organizações, mas a maturidade em governança segue muito atrás. Em muitos casos, a tecnologia está sendo implementada sem regras claras sobre uso, controle e tomada de decisão”, afirma Carvalho.

Outro fenômeno que contribui para esse cenário é o AI Sprawl, termo utilizado para descrever a proliferação descontrolada de aplicações de IA em diferentes áreas de negócio. Com o acesso cada vez mais democratizado às ferramentas, é comum que departamentos adotem soluções próprias sem coordenação centralizada. Isso reduz a visibilidade sobre o uso da tecnologia e amplia a exposição da empresa a riscos operacionais e de conformidade.

Entre os principais desafios está o controle financeiro. Os modelos de cobrança das plataformas de IA variam conforme o consumo e podem apresentar diferenças superiores a 1.000% entre soluções distintas. Além disso, muitas organizações ainda não possuem práticas estruturadas para monitorar gastos em tempo real, dificultando projeções e aumentando a imprevisibilidade dos custos.

A ausência de governança também amplia riscos legais e regulatórios. Sem mecanismos adequados de rastreabilidade e controle, as empresas ficam mais expostas a problemas relacionados à privacidade de dados, direitos autorais e responsabilização por conteúdos gerados por IA. O avanço de regulamentações específicas para a tecnologia reforça a necessidade de estruturas mais robustas de gestão.

Outro ponto de atenção está na segurança cibernética. O uso de ferramentas não homologadas pode ampliar vulnerabilidades e aumentar a exposição de informações corporativas. “Quando não existem diretrizes claras, a empresa perde visibilidade sobre quais ferramentas estão sendo utilizadas e como os dados estão sendo compartilhados. Isso aumenta significativamente os riscos para o negócio”, informa Carvalho.

Segundo o executivo, a governança de IA deve começar pelo alinhamento estratégico, definindo claramente qual papel a tecnologia desempenhará na geração de valor para a organização. A partir disso, é necessário estabelecer responsabilidades, processos, critérios de uso e mecanismos de gestão de riscos.

“Governança de IA deixará de ser um diferencial para se tornar uma exigência de mercado. Não investir nessa estrutura hoje é, na prática, jogar roleta russa com o negócio, porque os riscos podem comprometer desde a reputação até a continuidade da operação”, conclui Carvalho.

Sobre a Bridge & Co.

Com 16 anos de atuação, a Bridge & Co. é uma empresa brasileira de consultoria e tecnologia que conecta estratégia, dados, automação, pessoas e Inteligência Artificial para transformar a eficiência e a operação de grandes empresas. Originada a partir de um grupo de pesquisa da COPPE/UFRJ, a companhia une profundidade técnica e visão de negócio para apoiar organizações na modernização de suas operações, na evolução da arquitetura tecnológica e na geração de impacto mensurável em performance e resultados. Especializada em dados, automação e IA aplicada ao negócio, a Bridge & Co. atua ao lado de seus clientes na construção de soluções práticas, escaláveis e alinhadas aos desafios reais de transformação digital. Para saber mais sobre a empresa, acesse: https://www.bridgeconsulting.com.br/

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